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JÁ NÃO HÁ NADA de Léo Ferré

JÁ NÃO HÁ NADA de Léo Ferré

Porquê, pois, só traduzir e publicar este poema? Há anos que a letra desta canção, impressa no LP de 1973 com o mesmo título, estava quase traduzida. Fora interrompida a tradução pelos reveses de várias vidas. Há cerca de um ano conjunções inesperadas fizeram reviver e completar finalmente esta tradução, e ela aqui está, acabada por acaso quando Léo Ferré faria 100 anos, se fosse vivo.

Com a publicação em França, em 2013, da obra (quase) completa do autor, optámos pela forma em que aí aparece, respeitando a nova pontuação e organização estrófica.

É um manifesto simultaneamente lírico, mordaz e exortativo. São válidas também para este texto as palavras de Ferré escritas num velho prefácio de 1956: «Queria que estes poucos versos constituíssem um manifesto de desespero, que estes poucos versos constituíssem, para os homens livres que continuam meus irmãos, um manifesto de esperança.»

O ouvinte/leitor, apanhado na sua malha, fica desconcertado, fulminado, exaltado. Fazemos nossas as palavras de Mathieu Ferré, seu primeiro filho: «…na sua forma de cantar, os seus textos e a sua música interpelam-vos; tendes a sensação de que ele vos fala, a vós, unicamente a vós.»

O seu humor satírico desfaz a linguagem, a religião, o casamento, o urbanismo, o poder e a exploração do trabalho; mas também as revoltas e as revoluções recuperadas e digeridas. Este poema foi importante para muitas pessoas que o ouviram: faz pensar. É quase uma súmula do pensamento de Ferré num dado momento histórico. É a primeira tradução portuguesa. Depois do seu concerto no Coliseu dos Recreios de Lisboa em 1982, foram traduzidos e publicados vários textos – prosa e poesia – do autor, pela editora Ulmeiro, em 19843.

Este poema maior não consta. A sua escrita é de uma beleza feroz, tocante, com frases lapidadas, inesperadas, elididas, recheadas de neologismos, de expressões populares e de calão. É um enorme poeta e cantor a descobrir.

Os tradutores

 

Sobre o Autor

Léo Ferré nasceu no Mónaco em 1916 e morreu no norte de Itália em 1993. Foi sobretudo um trovador, cantor, poeta e músico, embora também tenha escrito um romance e muitos outros textos em prosa. Musicou e cantou os poetas franceses: Villon, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Apollinaire, Aragon… Deixou uma obra escrita e fonográfica impressionante.